Safra após safra, um problema volta a aparecer nos canaviais: soqueira fraca, brotação irregular e ATR abaixo do esperado.
Com clima mais instável, estiagens prolongadas e aumento de áreas compactadas, a diferença entre uma soqueira bem conduzida e uma soqueira “abandonada” ficou ainda mais evidente nos últimos meses.
Por outro lado, propriedades que investiram em condicionamento de solo, bioestimulantes e manejo nutricional focado em raiz colhem cana com menos falhas de rebrota, melhor TCH (toneladas de cana por hectare) e maior ATR, que é o que pesa na remuneração final.
Onde começa o problema da brotação irregular
A brotação irregular da cana costuma ser resultado de um conjunto de fatores:
- Compactação de solo (tráfego intenso de máquinas, ausência de manejo físico)
- Estresse hídrico pós-corte, sem água suficiente para ativar gemas e raízes
- Baixa matéria orgânica e estrutura de solo pobre
- Ausência de estímulo fisiológico na rebrota (bioestimulantes, hormônios, aminoácidos)
Estudos recentes de universidades e centros de tecnologia confirmam que raízes rasas + solo “duro” + estresse hídrico formam o “tripé” da brotação falha.
Caso recente – Oeste Paulista: de 18% para 6% de falhas
Em uma área de aproximadamente 110 ha no oeste paulista, o produtor convivia com:
- 18% de falhas de brotação na soqueira
- Áreas visivelmente desuniformes
- Quebra de produtividade e ATR abaixo da média histórica
Com apoio técnico, foi ajustado um manejo que combinou aplicação de condicionadores de solo (matéria orgânica, ácidos húmicos/fúlvicos), uso de bioestimulantes focados em raiz e gemas na rebrota, ajuste fino de potássio para garantir energia de crescimento e melhora no ATR e revisão de operações de tráfego de máquinas para reduzir compactação
Em cerca de 60 dias, o cenário mudou:
- As falhas caíram de 18% para cerca de 6%
- A soqueira ganhou mais uniformidade e vigor
- O ATR subiu 12 pontos em comparação à média dos últimos anos na mesma fazenda
Por que o ATR sobe quando a brotação melhora?
Quando a rebrota é forte, com raízes profundas e sistema radicular ativo, a planta explora melhor o solo atrás de água e nutrientes, respondendo melhor aos períodos curtos de seca, conseguindo direcionar mais energia para produção de açúcares, o que se reflete diretamente no ATR
Além disso, o potássio (K) está diretamente ligado à translocação de açúcares, os micronutrientes como zinco (Zn) e magnésio (Mg) ajudam na fotossíntese e no metabolismo energético, enquanto o bioestimulantes bem posicionados preservam e ativam meristemas, deixando a rebrota mais rápida e uniforme
Em resumo, a soqueira forte não é apenas mais bonita, é mais rentável.
Manejo prático: do corte à rebrota
Na prática, os produtores que se destacaram nos últimos meses seguiram uma linha parecida:
- Logo após o corte: Avaliar compactação e, quando necessário, planejar manejo físico do solo (subsolagem, por exemplo, em momentos adequados), iniciar o planejamento da adubação de soqueira, com foco em K, Ca, Mg e micronutrientes
- Na saída da dormência da soqueira: Entrar com bioestimulantes (misturas de aminoácidos, extratos vegetais, hormônios) e associar a condicionadores de solo (carbono orgânico, ácidos húmicos/fúlvicos)
- Fase de crescimento ativo: Monitorar deficiência nutricional via análise de solo e folha, ajustar o potássio para potencializar ATRe manter atenção a pragas de solo e parte aérea, que derrubam vigor e produção
Checklist rápido para o produtor de Cana-de-Açúcar
- Qual é o percentual de falhas de brotação hoje na sua área?
- Você tem alguma avaliação recente de compactação e estrutura de solo?
- Está utilizando bioestimulantes em momentos estratégicos da rebrota?
- O potássio está ajustado para o objetivo de ATR da usina?
- Há um plano de monitoramento de pragas e doenças alinhado com o calendário de rebrota?
Os resultados dos últimos meses e os trabalhos técnicos apontam que onde houve cuidado com solo, estímulo de raiz e nutrição bem ajustada, a soqueira respondeu melhor, reduziu falhas de brotação e entregou mais ATR por hectare.
Fontes e referências técnicas:
RIDESA – Rede de pesquisa em cana no Brasil
https://www.ridesa.com.br/publicacoes/
EMBRAPA – Inovação e desenvolvimento cana-de-açúcar
https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1166988/1/LV-Inovacao-dese nvolvimento-2024.pdf?utm_source=chatgpt.com
CTC – Relatório técnico 2024
https://www.ctcanavieira.com.br/
REVISTA COOPERCITRUS – Manejo da soqueira da cana-de-açúcar
Manejo da Soqueira da cana-de-açúcar – Coopercitrus Cooperativa Agrícola
TESE – Sistemas de preparo do solo e colheita no longo prazo
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EMBRAPA – Manejo varietal na produção de cana-de-açúcar
alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1167001/1/PL-Manejo-varietal-2024.pdf?utm_source=chatgpt.com