Nos últimos meses, muitos produtores de citrus do interior de São Paulo repetem a mesma queixa: pressão alta de greening, lesões de cancro cítrico e fruta com brix baixo, mesmo em áreas tradicionais de alta produtividade.
Relatórios recentes e estudos técnicos mostram um ponto em comum: onde sanidade + nutrição + indução de resistência caminham juntas, o pomar se mantém mais estável, produz fruta mais doce e suporta melhor os estresses de clima e doença.
Greening e cancro cítrico: por que eles “apareceram mais”?
O greening (HLB) e o cancro cítrico não são novidades, mas a combinação de temperaturas mais extrema, períodos irregulares de chuva e manutenção falha de bordaduras e plantas voluntárias favoreceu o avanço dos problemas em várias regiões do cinturão citrícola nos últimos 6–12 meses.
Relatórios do Fundecitrus mostram que, em talhões com controle químico apenas pontual do psilídeo e nutrição desbalanceada, a evolução dos sintomas de HLB é muito mais rápida, encurtando a vida útil da planta e afetando diretamente a qualidade comercial da fruta.
No caso do cancro cítrico, áreas com mais histórico de ferimentos em período de chuva + manejo pouco rigoroso de poda e desbaste tendem a concentrar mais lesões nas safras seguintes.
Caso real – interior de SP: brix baixo e pomar desuniforme
Em uma fazenda de aproximadamente 65 hectares na região de Casa Branca (SP), o cenário no início de 2024 era:
- Brix médio abaixo de 9, com grande variação entre talhões
- Frutos com coloração desuniforme
- Plantas com sintomas de estresse nutricional e hídrico
Após um diagnóstico conjunto entre produtor, consultor e equipe técnica, foi estruturado um programa que combinou Cálcio + Boro em momentos-chave, para fortalecer parede celular, melhorar pegamento e qualidade de casca, ajudar na translocação de açúcares, potássio ajustado para fase de enchimento, fosfitos de fósforo + potássio, com foco em indução de resistência, suporte ao manejo fitossanitário e revisão a frequência de pulverizações e cuidados com a cobertura foliar.
Em cerca de 90 dias, a fazenda observou:
- brix médio subindo de 8,5 para 11,2
- frutos com cor mais uniforme e melhor aparência comercial
- plantas com menor sintoma de estresse visual
- redução de lesões compatíveis com cancro em áreas críticas, complementando o manejo fitossanitário já existente
O papel da nutrição no controle de Greening e Cancro
Greening e cancro cítrico não são resolvidos apenas com nutrição. Porém, os estudos recentes reforçam que pomar bem nutrido reage melhor às estratégias de controle e mantém a produção por mais tempo.
Pontos cruciais:
- Cálcio (Ca): Melhora a firmeza da casca, reduz problemas de rachadura e desordens fisiológicas, contribui para frutos mais firmes no pós-colheita
- Boro (B): Atua em processos de floração, pegamento e translocação de açúcares, está ligado à uniformidade de frutos e ao crescimento adequado do tecido vegetal
- Potássio (K): Elemento-chave para enchimento de frutos, directamente associado ao aumento de brix, ajuda a planta a lidar melhor com estresse hídrico
- Fosfitos: Funcionam como indutores de resistência, ativando mecanismos naturais da planta, complementam o manejo químico e biológico contra doenças de solo e parte aérea
Quando esses pontos são integrados a um bom manejo de pragas e doenças (controle do psilídeo, cuidado com ferimentos, etc.), o produtor colhe pomar com copa mais ativa e vegetação mais equilibrada, frutos mais doces e com melhor padrão de mercado e menos perda de plantas ao longo dos anos por evolução de Greening ou Cancro.
Checklist prático para o produtor de Citrus:
- Você sabe qual é o brix médio dos seus talhões hoje?
- O pomar está com Ca, B e K ajustados para a fase atual?
- Há um programa estruturado de fosfitos + nutrição + sanidade, ou tudo está sendo feito de forma pontual?
- Como está o controle do psilídeo na borda e dentro do talhão?
- As podas e desbastes estão sendo feitas em períodos e condições adequadas para reduzir a porta de entrada de patógenos?
As evidências mais recentes apontam um padrão claro: onde há equilíbrio
nutricional + indução de resistência + manejo fitossanitário bem planejado, o citrus atravessa melhor os períodos de pressão de greening e cancro, entrega fruta mais doce e preserva o potencial produtivo.
Se você sente que seu pomar está produzindo menos do que poderia ou que o brix “não fecha a conta”, o próximo passo é simples: olhar para o tripé nutrição – sanidade – resistência e ajustar o que está pendente.
Fontes e referências técnicas:
FUNDECITRUS – Página oficial e relatórios fitossanitários
https://www.fundecitrus.com.br
REVISTA BRASILEIRA DE FRUTICULTURA – Artigos sobre nutrição e sanidade em citrus
https://www.scielo.br/j/rbf/
FUNDECITRUS 2025 – Levantamento de Greening
Levantamento-de-doencas-2025_Resumo-greening.pdf
FUNDECITRUS – Relatório anual 2024
fundecitrus.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Relatorio-Anual-2024.pdf?utm_sour ce=chatgpt.com
FUNDECITRUS – Manejo de cancro cítrico com cobre
DIEGO-HENRIQUE-FERREIRA-Reducao-do-intervalo-de-aplicacao-e-adequacao-da-dose-de-cobre-para-o-controle-do-cancro-citrico.pdf