Nos últimos seis meses, os talhões de soja do Mato Grosso do Sul apresentaram um padrão recorrente: arranque fraco, presença elevada de plantas daninhas resistentes e falhas na fixação biológica de nitrogênio (FBN). Esses problemas, quando somados, reduzem o vigor inicial, a nodulação e a produtividade final.
Quando o produtor joga a semente no campo com mato competindo, calda mal preparada e sem atenção ao cobalto e molibdênio, é comum ver lavoura desuniforme, falha de nodulação e planta “fraca” para aguentar o resto do ciclo. Ensaios recentes da Embrapa mostram que a eficiência de herbicidas em pré e pós-emergência depende muito da tecnologia de aplicação e do acerto na regulagem e condição da calda.
O problema nº 1 nos últimos anos: mato competindo no arranque
Segundo ensaios da Embrapa Soja (2023), apenas 15 plantas daninhas por m² na fase inicial podem derrubar até 28% da produtividade.
Na safra 23/24, os principais desafios relatados foram:
- Buva e capim-amargoso resistentes
- Janelas de aplicação curtas por chuva irregular
- Dessecação ineficiente e rebrota precoce
Ensaios internos de consultores independentes no MS mostraram melhora significativa quando o produtor:
- Ajustou PH da calda antes do herbicida
- Utilizou adjuvantes acidificantes e condicionadores
- Realizou dessecação sequencial com intervalo correto
Cobalto, molibdênio e fixação biológica de nitrogênio: o que muda no campo?
Outra dor recorrente é: “minha soja está amarela, será que é falta de nitrogênio?”. Em muitos casos, o problema não é o N em si, mas a fixação biológica mal ajustada.
O tratamento de sementes com Co + Mo, quando bem feito e compatível com o restante da calda, melhora germinação, vigor inicial e formação de nódulos ativos, resultando em plantas mais produtivas.
Quando o produtor consegue juntar controle bem feito de erva daninha, condicionador de calda, tratamento de semente com Co + Mo e boas práticas de aplicação, ele não só reduz custo por hectare, como também cria uma lavoura mais uniforme, com raiz forte e planta preparada para enfrentar clima irregular.
Caso real – Safra 2024/2025
Ensaios conduzidos pela Embrapa (PR) e Fundação Chapadão (MS) mostraram que a simples correção do pH da calda + adjuvantes adequados aumentou em 22% a eficiência herbicida. Onde cobalto (Co) e molibdênio (Mo) foram aplicados adequadamente no TS, houve:
- +18% de nodulação
- +12% de massa seca de raiz
- +9% de produtividade média
Nos ensaios mais recentes (Chapadão, novembro de 2024 – janeiro de 2025) áreas com manejo nutricional + condicionamento de calda tiveram ganho médio de 5,2 sc/ha.O retorno econômico médio registrado foi entre 4,7 e 6,1 vezes o investimento.
Erva daninha e arranque fraco não são “problemas de safra”, mas problemas de manejo inicial.Com ajustes simples — calda bem feita, micronutrientes corretos e nutrição inicial ajustada — a lavoura responde rápido e mantém o potencial até o final do ciclo.
Fontes e referências técnicas:
EMBRAPA — Competição e perdas na soja
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1149329/competicao-de- plantas-daninhas-na-soja
EMBRAPA — Buva e capim-amargoso resistentes
https://www.embrapa.br/soja/buva
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1106686/resistencia-de-
capim-amargoso-a-herbicidas
FUNDAÇÃO CHAPADÃO – Relatórios Técnicos e Ensaios Agronômicos (23-24) https://fundacaochapadao.com.br/publicacoes/
UFSM – Estudos sobre Nitrogenase e Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em Soja
https://repositorio.ufsm.br/handle/1
ESALQ/USP — Eficiência de herbicidas e condicionamento de calda
https://www.esalq.usp.br/tecnologiaaplicacao
https://www.scielo.br/j/pab/a/4zMjtTZZyptLm5GsyhQxj9N/
IAC – Interações entre adjuvantes e herbicidas
https://www.iac.sp.gov.br/publicacoes/
https://www.iac.sp.gov.br/center/index.php?pag=publicacoes&tipo=boletim